O QUE É CINECLUBE?
Numa época
como a nossa,
com tantas e aceleradas mudanças, com tantas inovações
tecnológicas – especialmente na área do cinema ou audiovisual – tem gente
que questiona o nome
cineclube.
Por causa
desse "clube", que parece uma coisa fechada,
meio elitista.
Mas é preciso
entender que quando os cineclubes
surgiram, a palavra clube
designava o espírito associativo e tinha justamente
uma conotação democrática,
participativa. Como os clubes operários
ou de imigrantes
do começo do século
passado. Depois
disso, 80 e tantos anos
de atuação consagraram o termo cineclube,
que designa em
todo o mundo
a nossa atividade,
e que nós
cineclubistas ostentamos com orgulho.
Talvez
até um
certo prestígio
da palavra cineclube,
no entanto, fez com
que ela
passasse a ser usada como
rótulo para
várias outras atividades, como uma espécie
de chancela de qualidade,
um instrumento
de marketing. O que
não corresponde ao verdadeiro
sentido do nosso
movimento. E prejudica concretamente a nossa
atividade, gerando confusão
e dificultando, por exemplo,
a legalização e regulamentação dos cineclubes.
É preciso
compreender o que
é um cineclube
– até porque
a confusão gerada em
torno do conceito
favorece justamente uma visão em que os cineclubes
não têm um
papel muito claro. Sua importância se dilui quando
não se conhecem seus
objetivos, suas
realizações, como
sua estrutura
específica se estabelece e opera dentro das comunidades
e do processo cultural.
Quando
a imprensa e outras instituições
formadoras de opinião confundem o Serviço Social
do Comércio, um
circuito comercial com salas de arte ou mesmo uma
cinemateca com os cineclubes,
podem, de fato, estar
ocultando uma série de conteúdos exclusivos
dos cineclubes, escondendo uma visão ideológica que
não quer
reconhecer certos
potenciais "subversivos", transformadores, do cineclubismo. Confundem os conceitos. O mesmo
acontece quando chamam as rádios comunitárias de rádios
piratas.
O dicionário
define cineclube como
uma “associação que
reúne apreciadores de cinema para fins de estudo
e debates e para
exibição de filmes
selecionados”, mas a imprensa e o senso
comum amesquinham esse
sentido e tratam o cineclubismo como uma atividade
de mero lazer
cultural, fomentada talvez por algum tipo de nerd,
um tipo
de fanático juvenil
amante do cinema.
Ou como
um sinônimo
de sofisticação do consumidor,
uma espécie de grife
que adorna
desde sessões
especiais na televisão
até salas
"diferenciadas" que exibem os filmes com expectativa de público
menor. Misturando um
pouco de cada,
também chamam de cineclube
às beneméritas iniciativas de organizações culturais, educacionais,
patronais e paternais
voltadas ao atendimento de variadas comunidades.
É claro que
todas essas atividades têm seu lugar, sua necessidade,
seu público
dentro da sociedade.
Nada contra.
Mas cineclube
é outra coisa.
Os cineclubes
têm uma história própria,
que liga
a evolução do seu
trabalho às diferentes
situações nacionais,
culturais e políticas em que se
desenvolveram. Há vários tipos de cineclubes,
alguns predominam em
determinados países,
em certas
conjunturas. Em
situações diferentes
suas formas
de organização e atuação
também variam.
Os cineclubes
surgiram nitidamente em resposta a necessidades
que o cinema
comercial não
atendia, num momento histórico preciso.
Assumiram diferentes práticas conforme
o desenvolvimento das sociedades em que se instalaram. Mas
assumiram uma forma de organização
institucional única que
os distingue de qualquer outra.
Três
características, quando
juntas, são
exclusivas dos cineclubes, os distinguem
de qualquer outra
atividade com
cinema e, ao mesmo
tempo, abrangem uma ampla
gama de formas
e ações que
os cineclubes desenvolveram nos mais diferentes contextos.
Duas delas são muito
simples e claras,
só se encontram, juntas,
num cineclube, e não
existe cineclube onde
essas características não estiverem presentes.
A terceira, menos
objetiva, deriva
das duas primeiras e pode variar bastante de entidade
para entidade,
conforme a orientação
predominante: é o que imprime direção à base
organizacional definida pelas outras
duas "regras" e o que dá conteúdo
e objetivo, atualidade
e personalidade ao trabalho
do cineclube. São
elas:
1.O cineclube não
tem fins lucrativos.
2.O cineclube
tem uma estrutura democrática.
3.O cineclube tem um
compromisso cultural ou ético.
(Texto retirado do Manual do Cineclube e imagens retiradas de pesquisas no google).